Peregrinação em meio à contrastes

Rishikesh, aos pés do Himalaia e cortada pelo rio Ganges, tem sido destino escolhido por muitos que cruzam a Índia em busca de atividades espirituais e religiosas. Além de ser privilegiada pela natureza, a cidade conhecida como capital mundial da ioga, abriga diversos ashrams – local que recebe pessoas interessadas na prática de ioga, meditação e conhecimentos.
É ponto inicial da sagrada rota de peregrinação que compreende os locais de Badrinath, Kedarnath, Gangotri e Yamunotri, nas montanhas do Himalaia. A permanência dos Beatles, em 1968, no ashram do iogue Maharishi Mahesh, tornou a cidade ainda mais famosa. Em 2001 já contabilizava quase 60 mil habitantes. A cidade fica no Estado de Uttaranchal, ao norte de Delhi, e foi escolhida por muitos sábios do passado como local de meditação.

Estas características atraem, ano a ano, turistas vindos de diversas partes do mundo. São sotaques, vestimentas e jeitos que acentuam os contrastes já presentes em Rishikesh. Suas águas servem para pujas (rituais sagrados) e para rotas de rafting. De dia, calor (o verão é de março a junho) e barulho no centro. À noite, silêncio – tudo fecha cedo – e céu salpicado de estrelas. O aroma dos temperos pode rapidamente ser substituido pelo odor dos dejetos de alguma vaca ou dos esgotos a céu aberto. O toque em lenços de sedas contrasta com a mão coberta de pó e suor. O balanço suave de sáris coloridos secando ao vento destoa da correnteza escura do rio. O doce gosto dos lassis, um iogurte batido com fruta, é alívio após a primeira garfada no não menos delicioso e forte curry, tão usado na cozinha indiana. Som de mantras vindo dos ashrams ou de cd´s das lojas, misturam-se com as fortes buzinas, que comandam o trânsito.

No meio de montanhas verdejantes, quem passa por Rishikesh pode escolher a calmaria do ashram ou o agito do centro, onde há várias lojas, placas de massagens, profissionais da medicina ayurvédica, alimentos exóticos, sinos tibetanos, incensos por toda parte, roupas e calçados apropriados para o frio do Himalaia e o calor da cidade, cursos e mais cursos. É uma cidade vegetariana por lei e que não vende bebida alcóolica. O mais impressionante neste cenário é como as coisas funcionam. A cidade tem duas pontes suspensas que servem de referência para tudo: Rama Jhula e Lakshman Jhula. De ambas, se tem um visual espetacular da paisagem no entorno. Ao cruzá-las é possível aprender, naquele pequeno trecho, uma lição que vale para todo aquele país, o de que na Índia tudo funciona. Ao atravessar a ponte a pé e dividir espaço com motos, bicicletas, pedintes sentados, macacos nas cordas que a suspendem, carregadores e outras surpresas, você se questiona como tudo isto convive e sobrevive, sem danos. Ao modo indiano, tudo isso junto se torna possível. Basta acreditar e confiar.

Aliás são crenças e conhecimentos que movimentam pessoas do mundo inteiro para este lado Oriental, talvez em busca de um sentido para a vida, à procura de equilíbrio, cura ou paz espiritual. E no meio disso tudo, de tantas diferenças e de tantas coisas novas, o olhar do visitante pode se perder, mais do que se encontrar. Rishikesh concentra sujeira nas ruas, vacas muito magras comendo lixo, macacos, ratos, esgotos, gente carente de recursos – do que nós ocidentais definimos como prioridade – saúde, educação, higiene. Muitas pessoas vão lhe mostrar sentimentos, sem nada lhe pedir, e muitas outras desejarão seu dinheiro, apenas para sobreviver.

Neste momento é que o visitante ocidental, vindo de tão longe, tem a oportunidade de dar o maior e mais importante passo desta trajetória. Se despir da sua cultura, preconceitos, ideias, ampliar a visão de mundo e de coração aberto olhar a Índia. Sem julgar. Aceitando a condição do outro. Com estes olhos é possível enxergar o que é simples. É apenas uma outra maneira de viver. É o que basta. É um modo único, preenchido por uma energia indescritível, onde a oração e o agradecimento vem antes de tudo. Uma verdadeira fonte de inspiração e aprendizado, ideal para quem tem coragem de se perder e mais ainda, de se encontrar, em terras distantes, mas acolhedoras.

Como Chegar
De São Paulo há voos para Delhi, de onde é possível pegar um trem para Haridwar, cidade que fica a 25 km de Rishikesh. O trajeto a partir de Haridwar pode ser feito de táxi ou ônibus. Outra opção é pegar um voo de Delhi para Dehradun. De lá são 42 km até Rishikesh, que podem ser feitos de carro.

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