É tempo de Natal!

Ontem fiz a decoração de Natal aqui de casa. O pinheirinho (artificial) tem menos de 60 centímetros. É rápido colocar os enfeites. Depois de 15 minutos estava pronto. Olhei e não gostei. Parei. Então relembrei da tia Maria e do tempo em que eu era criança e tentava ajudar na decoração do pinheiro da casa dela. Ela morava pertinho e eu ficava sempre por lá. A casa da tia Maria, pequena, de madeira, sem tinta, sem varanda, mas com um belo jardim, virava um lugar encantado e colorido no Natal (na Páscoa também).

Lembro que o pinheiro chegava da casa da Dona Ana, carregado pelos meus primos.  Geralmente tinha mais de 1,70, era bem verde e com galhos enormes. Minha tia replantava-o dentro de uma lata gigante de alumínio. Seus galhos quase batiam no teto e ocupavam toda a largura da pequena sala. A terra que vinha do quintal, agora tinha a função de manter o pinheiro vivo. Para garantir sua cor verde até janeiro, regava-se ele com um comprimido chamado melhoral diluído em água. Eu olhava para a árvore tão linda, dentro de casa, e não via a hora de colorir seus ramos.

Ouvia atentamente os conselhos da tia sobre como decorar aquele gigante. Antes de tudo era preciso cobrir  toda a lata de alumínio com papel de presente de cor vermelha. A gente começava devagar, decorando camada por camada. Ela me ensinava a “abrir” o algodão (que representava a neve) e a espalhar pelos ramos. Depois eu podia fixar algumas velinhas. Pedia para eu lhe passar as bolinhas (que naquela época quebravam), sempre mesclando as cores. Levava uma tarde inteira para decorar o pinheiro. Por fim, tirávamos o pisca-pisca da caixa e cobríamos o pinheiro de luz. Era uma festa. E ainda tinha o presépio. Ah, adorava procurar barba de velho, um tipo de raminho fininho que dá em algumas árvores e serviam para acomodar os bonequinhos do presépio. Toda noite eu ia lá para ver o pinheiro iluminado com o presépio embaixo. E quando faltavam as luzes, eu insinuava: “Tia, vai ligar o pisca-pisca?”.

Apesar de trabalhar na fiação de uma indústria têxtil das 5 da matina até uma meia da tarde, neste mesmo período, minha tia fazia docinhos natalinos, comuns aqui no sul do país. Eu também podia ajudar. Com forminhas de metal transformava cada pedaço da massa em pinheiros, estrelas, luas. Iam para o forno e imediatamente o cheiro de açúcar baunilha cruzava as portas dos vizinhos anunciando que estávamos preparando docinhos. Já frios, pintávamos todos de branco, uma mistura feita com clara de ovo e açúcar. E depois espalhávamos um pó colorido sobre eles. Ao final iam para o sol secar. Quando o sol se punha, colocávamos os docinhos em latas gigantes.  Anoitecia e lá fora o canto forte das cigarras reforçava que era tempo de Natal.

Eu subia e descia o morro que separava a casa da tia Maria da nossa muitas vezes. Aquele lar encantado, colorido, cheio de luz invadia meu peito de felicidade. Hoje é assim que quero (re)viver o Natal. Mesmo que por muitas vezes a noite natalina não tenha sido tão feliz. Mesmo que por muitas vezes e por muitos anos eu tenha dito que não gostava do Natal.

Foi com o sentimento de gratidão à minha tia que recomecei a decoração do meu humilde pinheirinho artificial. Demorei. Embalada por músicas especiais, dediquei tempo e carinho. Finda a tarefa da mini árvore,  pincelei cada cantinho da casa com cores natalinas.  Anoiteceu e novamente as cigarras, agora numa quantidade menor e portanto, de forma mais suave, anunciaram: É  tempo de Natal!

Penso que hoje (e sempre) vale a pena relembrar o melhor de tudo que já vivemos, o mais feliz e profundo momento, o mais verdadeiro, focar no que está agora por perto (nada é nosso): a saúde, a família, o alimento, a paz interior, os amigos, o lar. Ser grato sempre e tentar viver o momento, apenas o agora. E dia a dia deixar evaporar o que não serve mais, as tristes lembranças, o que não tem mais validade.

Convido você a aumentar o número de marcas de momentos felizes. Aqueles que nos darão novamente alegria ao serem relembrados.

Com amor,

 

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