Conversas que importam

Vivemos numa era em que a globalização e a internet deram ainda mais poder às pessoas. Também contribuíram para que a velocidade e a quantidade de informações aumentassem significativamente. O ex CEO do Google, Erick Schmidt, disse que, atualmente, a cada dois dias é criada uma quantidade de informação equivalente ao período que vai do início da história da humanidade até 2003. E a tendência é aumentar.  Segundo previsão anunciada pela equipe do Google (2013), o mundo terá em 2020 cerca de 7 bilhões de pessoas conectadas à internet, muito mais que os 2,3 bilhões em 2012. Mais pessoas, mais informações.  Apesar disso, ainda predomina no mundo real a tradicional queixa: “foi falta de comunicação”. Por quê?

Primeiramente porque comunicação não se resume a simples sistema de transferência de informações. Depois, porque a enorme quantidade de informação torna mais difícil as escolhas sobre o que prestar atenção. E ainda, na mesma proporção que aumentaram o envio e as publicações, diminuíram as conversas e o diálogo, que podem aprofundar questões.  Além disso, estamos mais distantes uns dos outros. Apesar das tecnologias aproximarem quem está longe, elas também contribuíram para afastar quem está perto. (Bem, a tecnologia não é a única responsável por estarmos tão separados uns dos outros). Neste cenário turbulento, onde as pessoas alegam com frequência que não têm tempo, conseguir captar a atenção de alguém e tornar algo compreensível, se tornaram valiosos.

Acredito que um dos grandes desafios para comunicadores e líderes de outras áreas é resgatar as conversas que realmente importam dentro e fora das organizações. A comunicação face a face estruturada, também chamada de comunicação direta, foi e continua sendo um importante passo nas empresas para reconectar a liderança com seus times. Mas é preciso ir além.  Há várias metodologias e formas de reativar a conversa, de forma menos hierárquica e mais profunda. Um círculo com pessoas mais perguntas significativas nos dá a possibilidade de acessar a inteligência coletiva e fazer emergir soluções criativas para os desafios de hoje. O convite do mundo atual é para mudarmos a forma como nos comunicamos, ouvindo com atenção, falando com intenção, conseguindo engajar, encorajar e elevar o nível de compreensão.  Segundo o Institute for the Future, In Good Company, a conversação está no coração do novo questionamento e talvez ela seja a principal capacidade humana para lidar com os tremendos desafios com que nos defrontamos. Sob este prisma, penso que criar espaços para conversas significativas na empresa, na comunidade e até mesmo na família pode unir mentes e corações e fazer emergir o novo. Pode nos tornar mais próximos, e isto apenas, já seria um avanço.

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